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Tinha que ser Ella

16 de June de 2011 2 Comments

Hoje eu assinei a venda do último resquício físico que eu tinha do meu pai.

Passei o dia ouvindo jazz. Não tive coragem de ouvir Billie. Billie Holiday seria acrescer calúnia à injúria e espremer meu coração de tal forma, que eu honestamente precisaria de um show do Paul Macca pra me recuperar. E cá entre nós, um show do Paul Macca não uma coxinha de frango com catupiry.

Então passei o dia com Ella.

Sentei agora pra escrever ouvindo Summertime e advinhem: lágrimas escorrendo.

Ô Calorina, que jeitinho esse seu de viver sem deixar passar nenhum detalhe, e sem negligenciar nenhuma sutileza. Chorando. Copiosamente. Puta merda, Ella, me abraça e promete que chegou o verão.

Summertime and the livin’ is easy
Fish are jumpin’ and the cotton is high
Oh your daddy’s rich and your ma is good lookin’
So hush little baby, don’t you cry
One of these mornings
You’re goin’ to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take the sky
But till that morning
There’s a nothin’ can harm you
With daddy and mammy standin’ by

La dolce vita

8 de June de 2011

Não é a primeira vez que eu falo sobre morte (cejura).

Perdi avós maternos cedo, o pai sempre teve problemas cardíacos e a morte meio que sempre esteve logo ali na esquina. Depois morreu uma tia, depois meu pai, depois minha avó paterna.

Enfim, cresci adminsitrando pessoas morrendo. Coisa de filha de pais velhos, filhos de pais velhos, normal do andamento da coisa (vida).

Outra coisa a meu respeito: adoro ler biografias. E é por isso que fico pensando, melgalomaníaca que eu sou, que um dia vai ter uma biografia minha. Digo, sobre a minha vida.Isso me dá medo, muito medo.

Gente, eu escrevo em um punhado de blogs, mais os tweets compulsivos, mais minhas caxas de email, mais ozamigo, mais tudo que falam a meu respeito.

Tenho o google como fonte, e a rede de computadores interligados, não tem como não pensar: que caralho um biógrafo vai escolher incluir, e deixar de fora? Porque tem passagens importantes da vida, que justamente por terem sido intensas e importantes, não estão na internet. Gente, tava lá fora vivendo.

Aí tem coisas que eu mimizei a beça mas que hoje eu vejo que não deveriam ter rendido nem um post.

Resumo da ópera: vou arrogantemente escrever minha auto biografia. Claro que só vai acabar quando eu parar de atualizar, morrer. Descobri que existe uma forma de fazer isso. Uma forma bastante segura e organizada. Fica tudo organizado e armazenado pra sempre neste site, que você vai atualizando cronologicamente ou vai fazendo conforme vai se lembrando.

Tô aqui juntando fotos, falando com tias velhas e arrancando histórias da mamis. Tomara que assim, minha passagem pelo mundo seja um pouco menos atrapalhada. Quer dizer, que minha biografia seja menos atrapalhada, a vida eu acho que não vai ter jeito de desembaralhar. Vou dando notícias do andamento da coisa.

This is fun.

A casa trabalhava com ir com calma, mas o fornecedor faliu

12 de May de 2011 14 Comments

30 anos.

Não sou velha exatamente, mas não é pouca bosta. Não tenho mais 19, por exemplo.

Com 19 todo mundo é meio cretino, mas tem uma vantagem: sua felicidade quase histérica é tolerada pela sociedade. Se você for menina, os episódios de dramalhão também. Se você for menino, certa canalhice é compreendida com um simples “você é um moleque”.

Moleques. Jóvens, tenho preguiça. Frequento esporadicamente a “cidade Jovens”, mas jamais compraria um terreno lá. Curto minhas cicatrizes, rugas e traumas. Os escaldos em geral. Luto e resmungo, mas tenho certo orgulho dos meus 3 fios de cabelo branco. Que os outros não achem que eu tenho amor suficiente no peito pra aceitar mais algum, amo estes três. Só. Os outros sofrerão intervenção química.

Amigos da vida toda, é gostoso mas cansa. Porque chega um ponto em que tudo que a gente tem em comum é o passado. E sei lá, num sei se é muita vantagem viver amarrado no passado. Se um passado incrível não mina o futuro incrível.

Não confundam com ingratidão ou leviandade, não é isso. É fome. Uma puta fome, e inquietude.

Me engajo em projetos, irmandades, atividades que me façam sentir tesão pelas possibilidades que estão logo ali, 2 ou 3 botecagens pra frente. Noites passadas em claro, conhecendo gente nova.

Amigos de longa data: amo vocês infinitamente, devo tudo que eu sou e tenho a vocês. Mas preciso que me alimentem os olhos, o coração e a criatividade. Não largo vocês por nada, mas não penso um segundo antes de abraçar novas paixões, e incluir mais gente nas minhas loucuras. Gente que vocês também amariam, se se permitissem conhecer.

Vem comigo gente, larga dessa vida de achar que o passado é mais valioso que o presente ou o futuro. Que a época de histórias incríveis acabou, e que porção emocionante da vida ficou pra trás.

Ainda é cedo pra encostar num barranco.
E a vida é dura, e a morte é certa.
Eu é que não vou ter calma, eu vou ter pressa.
Pressa preguiçosa, daquelas que a gente trata chorando de rir.

Tempo

11 de April de 2011 14 Comments

Vai passando tempo, a gente vai esquentando o assento da poltrona, vai criando uma nova dinâmica, um novo ritmo, uma nova zona de conforto. E o tempo passando, e a poeira assentando e os olhos distraídos. E não se percebe que a vida estancou. Que a evolução que se conseguiu, embora significativa e importante, é pequena demais pra fazer desta nova zona de conforto o destino final.

Tá, eu sou jovem. Estranho seria já tivesse encontrado meu oásis no deserto da vida (e grandes são os desertos, e tudo é deserto), mas não sei se vai ficar tudo bem. Não sei se tenho energia, talento e competência. Não sou mais tão jovem assim. Era pra vida ter evoluído mais. Acho.

Aí fica a angústia: mesmo não sendo o oásis da vida sonhada, há que existir uma poltrona confortável em que se possa passar o resto da vida. Como saber qual a certa? Qual a hora de desistir? Qual a hora de existir? Quando a gente descobre que chegou no ponto máximo que a vida vai chegar?

Quando pode desistir? Quanto eu tenho que continuar? Como é o meu oásis. Queria saber, pra pesar se a recompensa vale o esforço. Ou se o “bela bosta”, que ecoa na cabeça quando eu vejo o que eu conquistei é quem está certo, e é hora de tentar uma vaga de gerente do carrefour.

As rugas chegando e nada de milhão, nada de Pulitzer, nada de aniversário em Paris.
Hora de jogar papéis fora, e organizar os livros.
Perdida no deserto, e tudo é deserto.
Recomeçar do meio. Meio do que? Eu não sei.

7 de April de 2011 5 Comments

E eu sei que a afinidade, as risadas, os carinhos, os beijos e todo o impensável, quando a gente vai ver, acontece.

Tesão é aquilo que o álcool não acalma, que a música não distrai, que o juízo não freia. Que te faz esquecer costume, crença, decência, juízo e responsabilidade. Tesão daquele que te faz esquecer que perdeu a hora na depilação, os textos pendentes, a vida acontecendo lá fora. Que te faz não ter vontade de explicar porra nenhuma, nem que eu não sou dessas, nem que isso nunca aconteceu antes, nem que provavelmente não acontecerá de novo. Ou talvez aconteça, tomara, eu adoraria.

Mas o mundo quase nunca me escuta, quase nunca faz minhas vontades. Fez desta vez, seria abuso esperar mais qualquer coisa. Então eu sorrio e me distraio na esperança da sorte me tocar de novo.

E a vida é boa, e eu adormeço ouvindo Ella.

Vigie e relaxe

17 de March de 2011 18 Comments

Sabe, eu nunca fui muito de terapia. (Na verdade ainda não sou.)

Meu jeitinho. Não acho que terapia funcionaria comigo. Simplesmente, não funcionaria porque eu não acredito.

Parece que é necessário que exista uma predisposição de se aceitar o processo pra que funcione.

Não confio. No método, no terapeuta, na eficácia. Sim, eu sei que é babaquice, mas não rola.

Ok, agora vem a parte em que eu desfilo minha coletânea de siglas e diagnósticos, sim sou uma pessoa “desajustada”. Hoje não tomo mais nenhum remédio, mas já tomei de tudo um pouco, e engordei. Até que comecei a cicatrizar, ou a medicação funcionou e me tirou do circulo de depressão, apatia, agressividade. E eu pedi pro meu psiquiatra pra tentar viver sem remédios.

Ficar sem remédios foi um processo lento e que em muitos momentos parece má idéia. Mas prefiro. De cara limpa e sempre atenta, vigiando meus demônios. Todos temos, maiores ou menores. Bom é conhecer e ficar de olho neles.

O lindo do Leonard Cohen cantou:

Soe os sinos que ainda podem ser tocados/Ring the bells that still can ring
Esqueça sua oferenda perfeita/ Forget your perfect offering
Existe em tudo uma fissura/ There is a crack in everything
É por onde a luz entra./ That’s how the light gets in.

Prefiro minha cabeça funcionando 110%. Mesmo sabendo que é cansativo, e desgastante. Eu sou meio demais pra mim mesma. Tá dando pra entender?

Por todas essas questões, eu penso muito a respeito dessa onda atual de deprimidos e medicados.

Acho que a gente sofre mesmo é de medo e solidão. Todo mundo muito sozinho e com medo de assumir que a gente não sabe muito bem o que fazer. Difícil ser só pessoa no mundo que bombardeia a gente o tempo todo com padrões publicitários de perfeição. E não é só a gostosa descolada beberrona do comercial de cerveja. É também a mãe perfeita, esposa dedicada do comercial de margarina, e o homem de negócios bem sucedido dentro de um carro de bacana.

Gente, tá tudo bem. Tá tudo bem se você não entrar na lista da Forbes. Se não for campeão em tudo. Se seu casamento não durar a vida inteira. Longe de mim defender gente que desiste no primeiro tropeço. Não é pra desistir, nem pra traumatizar pra sempre.

Excetua-se aí quem tem um desequilíbrio químico GRAVE.

Num dvd da Lauryn Hill (amo), ela antes de começar uma música (não lembro) fala sobre o alívio que seria de a gente parasse de encolher a barriga e relaxasse. No lugar de recriminação, as pessoas se entreolhariam e sorririam “Ah, você também tem uma?”.

As pessoas são só pessoas, imperfeitas e deliciosas.

AMO este filme “A chave do sucesso”. Amo essa cena:

*Depois com tempo eu prometo que transcrevo, traduzo e publico. Vale.
** Este texto saiu de uma conversa com o autor deste texto.

Mães

24 de February de 2011 21 Comments

Eu não sei a sua, mas a minha é cheia de defeitos.

Defeitos de infância, que herdou dos meus avós, cicatrizes dos tombos da vida, marcas da maternidade, e outros defeitos dela mesmo. Uma mulher que poderia facilmente ter feito o que quisesse da vida, mas escolheu ser mãe. Chata, antiquada, repetitiva, invasiva.

E é uma puta mãe. Insuportável, é verdade. Não sei se por ser mãe, ou pelo temperamento catalão. Quase tóxica, onipresente e linda. Como ela é linda. Já recomendei que começasse a mentir a idade. 5 anos a menos pras duas, ela ri e pergunta: “pra que, Carolina minha filha?”.

Sim, ela fala assim comigo: Carolina minha filha VIRGULA comentário. Eu adoro.

Meu pai era o mentor das aventuras loucas, da resistência silenciosa que por malcriação não saía da piscina quando começava a chover. Minha mãe recolhia tudo e gritava de dentro da casa, pra sairmos da piscina. A gente se escondia perto da beirada, corpo submerso na água aquecida pelo sol. Só olhos, nariz e boca pra fora.

Os olhos ficavam fechados, protegidos dos pingos gordos de chuva de verão. Ouvidos dentro d´água e nada além dos meus pensamentos. De que aquilo era uma transgressão incrível e eu e meu pai éramos os melhores amigos do mundo.

Aí, a água da piscina começava a ficar tão fria quanto as gotas da chuva, e eu saía. Corria pra casa onde minha mãe sempre me esperava com uma toalha gigantesca. E me abraçava até o frio da chuva sair do meu corpo.

Feliz aniversário, mãe. Obrigada por me esperar ainda com uma toalha gigantesca de abraços quentes, depois de todas as minhas aventuras que acabam com uma tempestade fria.

Seus filhos te amam e te conhecem, com esses defeitos todos e as qualidades que fazem eles minúsculos.

Calma. É só o começo.

16 de February de 2011 9 Comments

Puta merda, que fome.

Sério. Eu faço votos que ser gostosa (p/ magra) seja tudo isso que os comerciais de cerveja mostram. E que os homens, ah os homens. Nem os homens enquanto grupo, mas uns dois ou três que me interessam muitíssimo.

Isto posto, a boa notícia é que com a fome animalesca que eu senti o dia inteiro, nem lembrei de pensar em beber. Ou concluir o que eu comeria se pudesse. Qualquer coisa. Qualquer coisa coberta com queijo. Ou empanada. Ou com coca- cola. Acho que descobrimos como foi que eu fiquei gorda. APTIDÃO. Tipo um talento mesmo.  Desenvolvido com o tempo.

Ok, me lembrem de amanhã mandar fazer o engodo de fibras incríveis. Tava descofiando (estou, na verdade), mas toda ajuda é bem vinda.

Post curto, porque o dia foi cansativo e amanhã deve ser pior. Só um oi e notícias do primeiro dia da dieta. Primiro de milhares.

Fuck me.

Ah, vocês tem visto o Flickr? Com o tal instagram voltei a atualizar. Aqui ó.

 

Senso e humor

12 de February de 2011 44 Comments

Sim, no vídeo abaixo é mesmo o Johnny Cash imitando o Elvis.

Ontem fui a endocrinologista japa, falar sobre a minha vontade de fazer alguma intervenção cirurgica, pra conseguir emagrecer de uma vez por todas.  Sim, chegou neste ponto de desespero.

Aí ela me pesou (nem adianta perguntar que eu não sei o número), e meu IMC não chega na obesidade mórbida que tornaria a cirurgia uma opção considerável. Ou seja, eu sou só bem gorda e devo fazer dieta+ exercícios+ blablablá.

Sou a rainha do universo, dos gordos que acham que desta vez vai. Disse isso mais de uma vez aqui, inclusive.

MAS ACHO QUE DESTA VEZ VAI.

Minha impressão é de que minha vida toda tá em stand by. Em todos os aspectos.

Eu não me envolvo com ninguém porque minha auto- estima cagada não permita que eu relaxe, porque não me acho merecedora de amor, porque tenho vergonha do meu corpo. Eu não me exponho como poderia e deveria pra fazer minha vida profissional deslanchar porque morro de pavor de ser “aquela gorda (ridícula)” que escreve.

Porque tem isso, quando vc é gordo tudo que as pessoas vão dizer sobre vc tem o acréscimo de “aquela(e) gorda(o)”.

Aquela gorda de chapéu vermelho

Aquele gordo corinthiano

Aquele gordo engraçado

Aquela gorda que escreve

Aquele gordo de olho lilás

Aquela gorda que solta laser pelos olhos

Sacaram?

Sim, complexada. E metida a ter bom senso castrador, com a desculpa de tentar evitar vergonha pública. Ou, simplesmente, não tenho muito senso de humor quando a piada pode ser meu corpo.  Aí alguém vai dizer que eu sou linda, ou que eu sou inteligente, ou que é babaquice se impor adequação aos padrões de beleza vigentes.

Fato é que eu quero. Ou me aproximar o máximo possível do ideal. Eu sei, puta idéia idiota, mas é o que eu mais quero agora. Segunda coisa? Ser rica.

Tenho uma amiga que é incrivelmente linda. Loira, olhos claros, corpo bonito, risada gostosa. Entra num lugar e a energia do lugar muda. Quero ser assim.  Quero comprar a roupa que eu quiser e não a que me serve/favorece. Quero ser dessas piranhas que não sentem frio e sai de micro-saia no inverno, que conquista as pessoas com um sorriso.

E não me venham com a ditadura da aceitação. Não estou feliz, e não aceito mesmo. Quer aceitar? Aceite as suas características, as minhas eu pretendo reformar.

Vou ser “aquela gostosa que escreve”.

Tá, ok. Admito que eu preciso de endocrinologista e um terapeuta. But first things first: the diet starts monday.

I started a joke,
Which started the whole world crying,
But I didn’t see that the joke was on me, oh no.

I started to cry,
Which started the whole world laughing,
Oh, if I’d only seen that the joke was on me.

I looked at the skies,
Running my hands over my eyes,
and I fell out of bed,
Hurting my head from things that I’d said.

Til I finally died,
Which started the whole world living,
Oh, if I’d only seen that the joke was on me.

I looked at the skies,
Running my hands over my eyes,
And I fell out of bed,
Hurting my head from things that I’d said.

‘Til I finally died,
Which started the whole world living,
Oh, if I’d only seen that the joke was one me

Haven´t found him, yet

16 de November de 2010 50 Comments

Prometo não implicar com os seus amigos, não te obrigar a me incluir em tudo que vocês combinam fazer, não policiar a bebida, a comida, ou quanto você gasta em carros, relógios, celulares, e todos estes brinquedos bobos, que eu não vejo graça.

Prometo manter a casa abastecida de gelo, whisky, cerveja e coca cola. E cozinhar. Não interromper o futebol, não implicar com o video game, não ficar pendurada no telefone com você quando você está no trabalho. Não ligar a menos que seja importante. Não abaixar nunca o volume do rádio, quando toca uma das suas músicas preferidas.

Ser fisicamente receptiva, mentalmente interessada e intelectualmente estimulante. Prometo zelar pelo tesão que sentimos no começo de tudo, como se fosse (e eu acho que é), a oitava e mais rara maravilha do mundo.

Prometo não gritar, não desconfiar, não concluir nada sobre você, sem antes falar com você. Prometo ouvir suas histórias até o final, mesmo quando repetidas.

Vou tentar ser clara e honesta, leal, te respeitar e cuidar de você da melhor maneira possível, incluindo aí a sua família e a família que vamos (talvez), construir.

Prometo respeitar a tua individualidade e não tentar transformar “eu e você” em “nós”.

Prometo ser atenta, gentil e amiga. A melhor amiga que uma amante pode ser.

Tenho só uma condição, que a recíproca seja verdadeira.