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Tempo

11 de April de 2011

Vai passando tempo, a gente vai esquentando o assento da poltrona, vai criando uma nova dinâmica, um novo ritmo, uma nova zona de conforto. E o tempo passando, e a poeira assentando e os olhos distraídos. E não se percebe que a vida estancou. Que a evolução que se conseguiu, embora significativa e importante, é pequena demais pra fazer desta nova zona de conforto o destino final.

Tá, eu sou jovem. Estranho seria já tivesse encontrado meu oásis no deserto da vida (e grandes são os desertos, e tudo é deserto), mas não sei se vai ficar tudo bem. Não sei se tenho energia, talento e competência. Não sou mais tão jovem assim. Era pra vida ter evoluído mais. Acho.

Aí fica a angústia: mesmo não sendo o oásis da vida sonhada, há que existir uma poltrona confortável em que se possa passar o resto da vida. Como saber qual a certa? Qual a hora de desistir? Qual a hora de existir? Quando a gente descobre que chegou no ponto máximo que a vida vai chegar?

Quando pode desistir? Quanto eu tenho que continuar? Como é o meu oásis. Queria saber, pra pesar se a recompensa vale o esforço. Ou se o “bela bosta”, que ecoa na cabeça quando eu vejo o que eu conquistei é quem está certo, e é hora de tentar uma vaga de gerente do carrefour.

As rugas chegando e nada de milhão, nada de Pulitzer, nada de aniversário em Paris.
Hora de jogar papéis fora, e organizar os livros.
Perdida no deserto, e tudo é deserto.
Recomeçar do meio. Meio do que? Eu não sei.

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comments

E se for isso mesmo? E se o desafio for encontrar o melhor nisso q vemos a frente? Ja pensou? Fica mais confortavel quando queremos pequeno, baixinho.
Fica mais “adequado” quando choramos inteiras ao inves de tentar transparecer uma alegria q não ha.
E mais: o q seria da literatura, dos blogs, dos poemas se não fosse o sofrimento q vivemos enquanto sonhamos com a alegria?
Eh a lagrima q vaza na folha. Eh a tristeza q escreve no papel. A alegria tem vista pra fora e as maos livres!
E quando a gente menos espera, a janela se abre. Vista!
O pulitzer? Esse ainda vem! E se não vier, quando não vier, vc ja nem vai mais querer tanto assim.
Muito bonito seu texto. Intenso, inquieto, dona escritora.

lia

11 de April de 2011

Chorei ontem quando cheguei em casa e li seu comentário.

Pq te acho foda, e é bem isso. Mulheres lindas, defeituosas e inteiras. Que escrevem, que choram, que acordam no dia seguinte fazendo piada, de olho no próximo oásis.

Vai ficar tudo bem. Gente forte e teimosa não precisa de certeza, precisa só seguir o próprio caminho.

Mto amor S2.

1/2 Carolina Mendes

12 de April de 2011

Não sou mto de falar essas coisas, mas me sinto como vc. Não posso reclamar da vida que eu tenho, mas estou longe de ser (e ter) oq eu planejei. No meu caso não é só profissional, pois não tenho o corpo que eu gostaria e nem os namorados que eu quis…
Não estou infeliz com a vida que eu levo, até curto bem, mas fica o medo de chegar aos 60 anos com o mesmo sentimento de frustração que eu estou chegando aos 30… Será que dá tempo de conseguir?

Vanessa

11 de April de 2011

Vanessa, tomara que sim.

Ou chegar bem perto, numa distância reconfortante.

1/2 Carolina Mendes

12 de April de 2011

Ah o tempo, esse implacável! Acho angustiante não saber o quanto mais vai durar.Só sei que cada conquista; cada tentativa; cada descoberta; cada acerto/erro cometido;cada tomada de consciência, por menores que sejam, são passos à frente, sem direito à volta.

Ed Mendes

11 de April de 2011

Tomara que sejam passos a frente…

1/2 Carolina Mendes

11 de April de 2011

Como diz um amigo que amo incondicionalmente: Respire! Isso sempre funciona quando também me sinto assim. E lembre-se: existem MUITOS oásis no deserto. Pq montar acampamento apenas em um? Fique bem! Umlargo sorriso!

Isa

11 de April de 2011

Bjão!

1/2 Carolina Mendes

11 de April de 2011

“Já por exausta e descrida
Não me animo a um breve traço
saudosa do que não faço
do que faço, arrependida.”
Cecília Meireles

Ana Carolina

11 de April de 2011

Não me faz chorar. É segunda feira ainda.🙂

1/2 Carolina Mendes

11 de April de 2011

o meu alento é que esse é o sentimento de quase todo mundo que conheço. então não sou eu que estou errada, é o mundo. ehehehe.

Cristine

11 de April de 2011

Não é errada, me sinto inadequada.

1/2 Carolina Mendes

11 de April de 2011

O problema é que os abrigos no deserto não são oásis, são sombras. A gente pára pra descansar, e vai ficando até sentir o sol fritando nossas costas de novo, porque a nuvem que nos deu abrigo acabou de ir embora sei lá pra onde. Nessas horas, é levantar e recomeçar a procurar, porque se ficamos ali só porque um dia já foi seguro, Darwin nos manda pro espaço.
Nessa metáfora panaca, eu nunca sei quem é o sol que me inferniza. Talvez a insolação seja de dentro pra fora.

Alex Villegas

11 de April de 2011

Acho que tudo dói pq a vida fica insuportavelmente dificil as vezes. E não tem solução, a morte não é opção. Tem que seguir vivendo e apanhando.

Cordei, cadê colo? Não tem, nunca tem.

1/2 Carolina Mendes

11 de April de 2011

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