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#troquebabaquicepelasuaparceladeculpa ou, uns pensamentos meio doidos

31 de January de 2011

Tô meio atrasada, admito. Mas a vida tem dessas, e só consegui sentar pra escrever hoje. Escrever pro Neosa. Passados tantos dias, assuntos se acumularam. Vou tentar retomar 2 deles de uma vez, só porque honestamente não sei com que freqüência vou conseguir voltar aqui.

1-
Grande parte do meu tempo vem sendo consumida pelo BBB. Explico, caso você ainda não saiba: criei um site sobre o BBB11- http://carolinaminhafilha.wordpress.com/ – que tem despertado bastante interesse. Eu, como boa attention whore que sou, me alimento desta atenção e atualizo o tal blog com constância constrangedora. Até este tal blog de BBB aparecer, minha opinião era até respeitada. Não estou dizendo que o Tribunal de Aia me pedia pra arbitrar questões do Oriente Médio, mas gente bacana me fazia perguntas e lia as respostas.

Agora eu sou aparentemente uma idiota completa, porque me divirto com BBB.

Pois bem. Veio uma avalanche de seguidores no tuíter, que eu suponho não saibam que eu sou capaz de compor períodos complexos e gramaticalmente mais aceitáveis do que: “VESGA SAI. TODOS RI.” Vez em quando eu divulgo pelo tuíter algum link, de algum texto antigo e vejo o espanto geral. MEU DEUS, ELA RACIOCINA.

Raciocino, mal e porcamente, mas imagino que esteja acima da média.

Ok, até aqui imagino que estamos entendidos. Eu não sou mais ou menos idiota do que era antes do BBB. Meu gosto por TV trash não invalida minha inteligência ou cultura acadêmica.

Vem agora a parte polêmica. Nestas semanas que já tivemos de BBB, vi pipocar a campanha bem intencionada mas do meu ponto de vista infeliz: “Troque o BBB por um livro”. É claro que eu não vou aqui defender o contrário, que se troque livros pelo BBB, ou que o BBB tem grande valor. Porque não tem. Por outro lado, é uma bobagem defender que as pessoas tenham que trocar uma coisa por outra. A impressão que se dá é que você pode optar pelo pacote de vida erudita, em que se lê livros e se discute Proust, e o pacote de vida ordinária, em que se assiste BBB e se enche a cara no boteco. Bullshit, inteligência está em absorver e se adaptar. Jante, veja novela, BBB, e leia antes de dormir. Tá tudo bem, não é preciso escolher.

Há que se admitir porém, que o BBB tem uma grande qualidade: não finge ser qualquer outra coisa além da bobagem que é. Quem faz do BBB palco de tratados antropológicos, e retrato da sociedade, são os analistas. Os punheteiros intelectuais. É aquela bobagem, e só. BBB chama a atenção porque a sociedade padece, entediada e confusa. E na TV aberta, muito pouca coisa de qualidade é oferecida. Se levar em conta o fator entretenimento então, arrisco dizer que não há nada que seja divertido e tenha qualidade.

Aqui vem a parte em que alguém defende o CQC. Entendo. Só que acho que eles sofreram com a sede de informação, jornalismo acessível, e humor de situação que o Brasil vive. E acabou sendo engolido pela paixão nacional. Acho uma bobagem usar o CQC como medida de certo e errado. É engraçado, é inteligente (até onde o popularesco permite) e traz a luz questões relevantes. Privilegiando a piada. É um programa de humor. Não é um Repórter Esso. Mantenhamos a devida precaução.

2-
Tenho uma teoria, pautada no surrado exemplo da limpeza do Metrô de SP: as pessoas preferem que a cidade esteja limpa, que as ruas estejam iluminadas e que as praças sejam bem cuidadas. TODAS AS PESSOAS. Marginal, como a própria palavra diz, é o que está excluído do principal e colocado aquém dos protagonistas cidadãos de bem. Inicialmente marginais, estranham e insistem no mau hábito de jogar lixo no chão, mas eventualmente percebem que é mais agradável ter um metrô limpo e que funcione. Que é melhor encontrar uma viela ou agarrar uma oportunidade que os tire desta marginalidade.

Soube outro dia que em algumas praças de SP (não sei se todas), foi proibido andar de bicicleta. O argumento é que muitos idosos caminham e acidentes aconteciam. Eu entendo que é mais fácil proibir e acabar com o problema de imediato, do que educar ciclistas e (pasmem) idosos. A praça é de todos, a cidade é de todos, as ruas não são só dos carros, são de todos.

Ninguém tem que escolher. Se você compra um carro, o transporte público não deixa de ser problema seu. Se a praça do seu bairro está cercada por grades, e você pode sentar e ler a Veja (oi?), não significa que a cidade está mais civilizada. Muito pelo contrário. A cidade está cada dia mais egoísta. Esmagando qualquer resquício de coletividade.

Comecei um projeto em que iria usar o sistema público de saúde para me tratar, e escrever a respeito. “Ia” porque acabou não acontecendo ainda, mas vai rolar. Enfim, conversando com um grupos de pessoas e explicando a coisa toda, uma senhora negra me disse: “você é branca e rica, vai tirar vaga de quem precisa pra que?”

Porque num mundo ideal, todos usariam o sistema público. Porque a minha vaga está lá, eu usando ou não. Porque se a gente raciocinar que uma pessoa tira o lugar de outra no sistema público de saúde ou educação nós vamos entrar em uma lógica segregacional perigosa. Gata, estamos todos no mesmo barco, na mesma cidade, no mesmo país. Todo mundo tem direitos iguais. Ok, na prática a teoria é outra. Então vamos cobrar dos responsáveis melhorias. Lembrando de fazer cada um a sua parte.

Sabe, a cidade onde você vive não é a área de serviços da sua casa. Não pense nela como se fosse um espaço de segunda categoria.

Conclusão-
Chega de engolir conceitos, e impor escolhas que são desnecessárias. Bora aceitar cada um sua porção de terra nesse favelão chamado Brasil. Aceitar e fazer algo a respeito. O futuro agradece.

(saudade docêis o/)

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comments

Como sempre, excelente texto. Parabéns por ambos blogs!

Te tenho na minha listinha, e me divirto e reflito muito com seus posts.

Marilia

31 de January de 2011

Oba!

Bjos.

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Carolina, queria ver você no BBB. Beijos!

@jonesbegol

31 de January de 2011

Olha, estou seguindo você faz pouco tempo e tá na cara que você é inteligente e sabe escrever. Confesso que não assisto BBB, mas não faço feio nas rodinhas sobre o programa por aí graças aos seus tuítes. E essa campanha troque o BBB por um livro é deveras ridícula. Coisa de pseudo intelectual de classe média metido a bem informado, que defende o “bom gosto” próprio e quando vai elogiar alguma coisa fala que é “de primeiro mundo”. Asco.
Mas de verdade, eu te sigo porque 1) acho vc bem humorada e 2) acho você linda naquela foto, com aquele olhar meio emputecido meio lost girl, que só as mulheres de personalidade não tem vergonha de mostrar. E toda vez que a sua foto aparece na minha timeline, meu dia fica melhor. Como você gosta de escrever e palpitar a toda hora, melhor para mim.
Não aceito aqueles seus convites no twitter porque sou tímido e um rapaz de (e com) família. Mas um dia eu crio coragem.

Fernando

31 de January de 2011

Eu acho que tem tbém um quê de oportunismo.

Mas, quem sou eu pra julgar né? Afinal eu sou só uma idiota que comenta BBB (not).

Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

” Gata, estamos todos no mesmo barco, na mesma cidade, no mesmo país. Todo mundo tem direitos iguais. Ok, na prática a teoria é outra. Então vamos cobrar dos responsáveis melhorias. Lembrando de fazer cada um a sua parte. ”

Mas quando o pessoal vai se tocar disso ou discutir isso se nas conversas, botecos, twiters, facebooks, orkuts e afins o pessoal só fala no BBB? E quando não é o BBB, é a novela, é o futebol que a TV vende, é o noticiário viciado que mostra só um lado das coisas?

Acho que do final da décade de 60 pra cá, os generais fizeram um acordo com as principais redes de TV, alaido ao péssimo ensino público para tornar cada geração seguinte mais idiota que a anterior, além de cada vez mais egoísta e individualista.

Ah, a tabela do IR não foi corrigida este ano. A defasagem já passa de 70%. Pagamos 70% a mais de imposto por pura sacanagem do governo, mas o que interessa é quem vai para baixo do edredon com o líder da semana. O resto não dá ibope.

Pode me chamar de ranzinza, não ligo.

Gilberto Valente

31 de January de 2011

sabe, minha teoria é que a natureza humana não deixa o povo abrir mão do lixo, então é melhor a gente começar a incentivar a habilidade de diversificar. Aí pode ser que as pessoas incluam alguma substância na dieta mental.

Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

O texto me lembrou o muito bom COMENTÁRIO GERAL da TVE (ou qualquer nome que eles coloquem nela toda semana). Sobre a temática, só posso dizer que concordo e apoio.
E um elogio (um caso raro partindo de mim): Pouca gente sabe falar de 2,3,10 assuntos tão bem como você.

Claudio R

31 de January de 2011

Ah, bajuladores.

Sabe, é bom ler isso pq normalmente eu não CONSIGO ficar num só assunto. Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Sou fã de gente que assume suas vontades e escolhas.
Eu assisto Caldeirão do Huck, por exemplo.
Não assisto BBB, e acabo ficando de fora no twitter nessa época. Porque o assunto toma conta e o programa é comentado até por quem odeia.

Pessoal assiste só pra ter assunto. Lamentável.

Beijão.

Vanessa Pinho
http://www.donna.diario.com.br/poraqui

Vanessa Pinho

31 de January de 2011

Uia!

Vc por aqui, que honra.

Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Perfeito! Irretocável… parabéns!

PS> Aliás, devo confessar que neste país você passa por um ser de outro mundo quando demonstra possuir erudição, por isso, é bom assistir BBB para poder conversar com as pessoas… 🙂

Horst

31 de January de 2011

[Até abrir uma breja e aumentei o som no Skank aqui depois que o notibuk desligou e me fez perder meu tratado filosófico. Vamulá.]

Acho BBB uma merda em-si. Não me interessa, me chateia, ignoro. Porém não acho que ninguém fique mais ou menos burro do que quem gosta de ver cadáveres nas vias públicas, tragédias no Datena ou eu, que ouço podreiras satânicas nórdicas.

Assim como odeio McDonald’s porque tem lanches caros e com sabor de cartolina, e não porque são imperialistas ianques que extinguem minhocas, criam gado mutante e exploram moleques punheteiros.

Já li mais livros que toda a minha timeline junta, com certeza, e não me acho mais intelectual que ninguém por isso. Pelo contrário, adoro TV ruim na madrugada: Canal do Boi, Leilão de Jóias, pastores neopentecostais.

Tão ou mais chato quanto o flood virtual e real sobre reality-shows é a patrulha dos pseudo-intelectuais. É um saco essa divisão “ou você é filósofo-de-banheiro-que-critica, ou é retardado-que-elogia. Caraio, pessoas não são enquadráveis assim.

Dá unfollow, manda sifudê, mas não me manda ler um livro, não me diga o que é bom pra mim. Afinal um livro ruim deteriora o cerebelo mais do que qualquer Turma do Didi.

[ Enfim tá meio de má-vontade e confuso – o original era melhor, ah! o passadismo – mas vamô time.]

Fábio Vanzo

31 de January de 2011

ahahhahahhaahahhaha

admito que andei meio atarefada e só sentei pra ler com calma, agora.

Adorei, bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Clap, clap, clap!
Mendex… Retorno de gala!
Infelizmente não temos mais aquele papinho goxtosso, mas continuo no feed do Neosa!
Num sabia desse projeto aí hein?!
É maneiro e deve ser um soco na cara!
Apoiadíssimo!

Ontem vivi uma situação de uma escolha de alguem que prefere a aceitação coletiva, a enfrenter algo novo…

Porque escolhas são difíceis qd nos tiram da zona de conforto… FODA!

Purtugueis

31 de January de 2011

Calma, tá tudo bem agora.

Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Estava com saudades.

Diariamente acesso o neosaldinachick, sem querer segregar nada ,apenas a minha escolha, gosto dos temas e da forma que você os aborda.

O BBB passa,o neosaldinachick será eterno enquanto você quiser.

Acho que o maior problema nacional é o de tomar conhecimento de que faz muito tempo que a ¨Casa Grande e a Senzala¨acabaram.

A area de serviço já se incorporou na casa e deve seguir o mesmo padrão, apenas sua função é de serviço,mas sem ela toda a casa se desestrutura.

Assim funciona (ou deveria funcionar)toda a sociedade. Ou seja, todos deveriam ter direitos iguais,e ninguem tira de ninguem o que não existe.

Mas sem esquecer que direitos geram obrigações.

Bom regresso,e não nós abandone,não precisamos fazer escolhas radicais.

Nuria Marti

31 de January de 2011

Oi Nuria,

Gosto tanto de ver vc por aqui.

Bjo!

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Eu nunca gostei de ter que escolher, porque escolhendo uma coisa, automaticamente abandonamos outras. Sobre ler, assistir BBB ou fazer o que mais tiver vontade, digo que, querendo, a gente arranja tempo pra tudo. Geralmente quem mais critica nossas atitudes “erradas” ou “não aceitas” é nossa sociedade(pseudo) intelectual e hipócrita demais pra admitir que também assiste BBB e outras porcarias da TV aberta (e por assinatura), tudo o que não tem conteúdo, cai no gosto popular, é que pensar custa muito.

Sobre a questão do sistema único (publico) de saúde. Penso como você. Já que nenhum dos direitos garantidos na nossa constituição, funciona. O jeito é privatizar. E ai daquele que que fizer o contrário, corre o risco de tomar o lugar de outro, que na verdade é seu, por direito e impostos pagos.

Hugo Guimarães

31 de January de 2011

Ah, sou fã de CQC, não vou tentar te matar, e muito pelo contrário, concordo com você.

E VIVA ZORRA TOTAL NÉ! –‘

Lucas Castanho

31 de January de 2011

Viva A Grande família, melhor humor na TV.

Carolina Mendes

16 de February de 2011

Cara, você é o cara. Haha, eu também sempre gostei de ler, quando me vêem falando de BBB ficam espantados, agora comecei a me entender lendo aqui…haha, muito bom mesmo!
Sei que é difícil pra você, mas não pára de escrever não, hein!

Lucas Castanho

31 de January de 2011

De escrever eu só para quando eu morrer.

Carolina Mendes

16 de February de 2011

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