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Contaminei

17 de December de 2010

Quando eu era pequena, luzes de natal eram consertáveis.

O Natal começava aos poucos, com minha mãe tirando as caixas de enfeites da prateleira da garagem. Desembaralhávamos os fios, checávamos quantas bolas e enfeites tinham quebrado. Meu avô checava se todas as luzes estavam funcionando, e eu ia com a minha mãe providenciar eventuais reposições de enfeites e lâmpadas.

Morava em casa, e no nosso jardim, só uma árvore era enfeitada com luzes. Lâmpadas “bolinha” coloridas, presas ao fio verde por soquetes de tamanho normal. Verdes, azuis, amarelas, laranjas, e só. A tendência era, sempre, que o vermelho e o amarelo dominassem.

Tenho a impressão que eram as cores mais comuns nas lojas da rua da Consolação.

Dentro de casa, uma árvore prateada. Um mastro central, cheio de furos, onde eram presos os “galhos” retos, formando uma enorme escova de mamadeira invertida. Neste duvidoso monstrengo, colocávamos as luzes, menores e coloridas, que tinham capinhas transparentes de plástico, em formato de estrela nas pontas, que escapavam das lampadinhas e formavam armadilhas mortais pelo chão.

Era pisar descalça, e a choradeira começava.

Desmontar a arvore de Natal foi a primeira grande lição de vida que eu tive. Existia em casa, uma regra de que quem (eu, única criança) participasse da montagem, tinha que ajudar a desmontar a parafernália toda. E ninguém gosta de desmontar a parafernália toda. Participar da montagem, me prendia a parte chata.

Lição 1, de milhões- comprometimento, com a parte boa e a ruim.

Descobri muito cedo que papai Noel (sorry kids), não existia. Minha mãe me contou, pra acabar com a histeria que tomava conta de mim. Não me agradava nada, a idéia de um velhote entrando na minha casa, enquanto eu estivesse dormindo e remexendo nas minhas coisas.

Passei a curtir o Natal, quando o mistério do Papai Noel acabou.

Não gosto da histeria que toma conta das pessoas. Não gosto da sensação de obrigação que toma conta das pessoas. Não gosto da gentileza artificial. Não gosto da época, em que todo mundo mais se entope de comida, coincidir com o verão.

Não sou católica, não acredito em Deus, não rezo. Nem os católicos, na verdade, assistem mais a Missa do Galo.

O Natal agora é azul. Porque algum chinês, decidiu que azul era o novo incolor. Lâmpadas e enfeites de natal, que custam cêntimos de centavos. Você pode não desmontar mais a sua árvore de natal. Pode simplesmente jogar tudo no lixo, e no ano que vem comprar tudo novo. Luzes azuis estão por toda parte, parecendo radioatividade alienígena.

Revolução made in China.

Mais azul e mais vazio, sem significado. Até porque, não fica nem bem adorar Natal. Bacana é ficar resmungando do trânsito, das pessoas resmungando, de ter que comprar presente pra gente que você nem vê no resto do ano. Bacana é ficar por aí fazendo piada com as festas de firma. Bacana é escrever post sobre amigo oculto (ou secreto). Todo mundo reclamando do fato do Natal sem uma puta hipocrisia, das famílias só se encontrarem na ceia, e de no resto do ano, ninguém se importar com ninguém. Chato isso.

Gente chata que não gasta minutos de celular com nada que não seja trabalho, obrigação, sexo.

Não fica bem, esse tipo de sentimentalismo e otimismo, eu sei. Somos cool demais, inteligentes demais, indiferentes demais pra esse tipo de tolice. É. Somos. Sei. Sou também, o tempo todo, menos no Natal. O Natal me passa a perna, e me derruba de boca no chão de tacos da casa da tia, que vejo poucas vezes por ano.

Meu Natal, e não meu Reveillon, marca o recomeço. Na verdade, a semana entre Natal e Reveillon. Pra parar e pensar no que passou, e saber que passou, acabou. Ponderar, e definir as promessas pro ano que vem. Todo mundo faz, jeitão nosso, de querer que o que vem seja melhor que o que foi.

Podemos fumar demais, beber demais ou comer demais. Podemos ir de maquiagem carregada ou de calça de pijama e chinelo. Todo mundo fazendo o que pode com aquilo que têm. Dando o melhor, mesmo que seja pouco, mesmo que seja a melhor malcriação.

Nossas tentativas bobas de nos esquivarmos do espírito natalino.

Tem os que preferem o isolamento. Cagar e andar pra tudo e todos, e passar o natal com nosso amigo Jack, nosso amigo Johnny, nossa amiga Stolichnaya. É uma opção válida e justa. Eu pessoalmente, prefiro aproveitar essa época piegas, e constrangedoramente emotiva, pra exercitar toda docilidade, que o mundo (e eu mesma) reprime (o).

Meu Natal não tem pai, não tem marido, ou namorado, ou filhos. Não tem jóias e viagens pra Europa. Meu Natal me trás de presente o ano que vem, e esse vem, me escondendo ou não.
Meu Natal tem som de Sinatra, Ella, Judy, Nat, Crosby, Doris Day e Jimmy Durante. Não as músicas cool, as manjadas mesmo. As mesmas que no resto do ano causam um pouco de constrangimento quando aparecem em slideshows de bodas, festas de formatura e casamentos, na voz de Céline Dion.

Natal é desculpa pra chorar no comercial do Itaú. (Chorei ontem.)

No resto do ano prometo não chorar tanto, mas me deixe ser doce na próxima semana. É Natal, pode.

Eu se fosse você, faria o mesmo.

O vídeo é medonho, mas a música e a voz do Jimmy, valem.

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comments

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Music Video Hot Hits

15 de October de 2011

Carolina, sempre Carolina!!!!!
Cada dia mais fã dessa moça.

Liana (@lianinha_r)

21 de December de 2010

ahahhhahhahahahha

Nem teria como não ser Carolina, né?

1/2 Carolina Mendes

21 de December de 2010

Então, Feliz Natal, com ou sem bolinhos de bacalhau…….

Geraldo Maia

20 de December de 2010

Eita menina que escreve bem…

Alef Muard

18 de December de 2010

Obrigada \o/

1/2 Carolina Mendes

19 de December de 2010

Te contar uma obviedade mas a magia do Natal só é resgatada novamente quando nos tornamos pais e mães.

Esquecemos a fila do shopping e a falta de vagas simplesmente para ver aquele rostinho sorrir ao ver o papai noel.

Paramos no meio da rua para ver as luzes…Montamos e desmontamos árvores…

enfim, voltamos a ser crianças…

PapaiTaemReunia

18 de December de 2010

Sabe, eu prefiro sem magia, e sem crianças. Rs….

Nem quando eu era criança, eu gostava de crianças.

Mas não sou má pessoa.

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Agora vem a parte em que vc me odeia: http://neosaldinachick.wordpress.com/2010/05/24/k-k-k-kids/

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Natal é uma delícia, podem os super-cool de plantão dizerem a bobagem que quiserem.E você, Carolina…você não consegue esconder a sua doçura no resto do ano também.

(Mas poderia ser bem ríspida com a corretora gramatical ali em cima. eu seria!)

Beijos

Mercedes

17 de December de 2010

ahhahahahahhahahahhahahahhahahhahaha

(não espalha que eu sou boazinha, na verdade)

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Tenho que admitir que a Mercedes tem razão. Fui bem mala em fazer esse comentário sobre suas vírgulas. Tenho absolutamente NADA a ver com suas vírgulas. Parabéns pelo texto e por sua educação😉
Beijo.

Mari

20 de December de 2010

Seu texto é realmente muito bom, super me identifiquei, mas – desculpe a intromissão – acho que tem algumas vírgulas desnecessárias, p. ex.: “Neste duvidoso monstrengo, colocávamos as luzes, menores e coloridas, que tinham capinhas transparentes de plástico,…” ou “Descobri muito cedo que papai Noel (sorry kids), não existia.”

De qualquer forma, parabéns, seu blog é ótimo.

Mari

17 de December de 2010

Oi Mari.

Jeitão meu. Ajuda a manter, e direcionar, o ritmo de leitura.

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Como vc consegue com palavras simples, e um jeito descontraido, trazer a tona algo que todos fogem… desde que cresci o natal nunca masi foi o mesmo e esse é o segundo ano que irei passar sem o meu pai.. enquanto ele era vivo até curtia o natal pois era a época onde eu e ele iamos a casa do meu tio roubar os doces que a nossa tia-avó faz (ela é italiana e faz os doces a mão), hoje não me parece mais tão divertido, admiro o seu texto, e me realmente me comove, que ainda há pessoas que mesmo não sendo durão(a ) durante o ano , se comove com coisas simples…
obrigado, esse ano meu natal será diferente.. =)

LockyZ

17 de December de 2010

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Texto bonito e bem observador sobre a contemporaneidade.

Só não sei como são os católicos que você conhece, mas nós vamos à Missa do Galo sim. Ela só costuma ser antecipada, não acontecendo mais à meia-noite. Se passar em frente à igreja da paróquia do seu bairro na noite do dia 24 vai ver com certeza muita gente lá.

Rodrigo

17 de December de 2010

Olha, admiro.

Mas não vejo mais quase ninguém saindo de casa no 24 pra ir a missa.

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

RT!

Roberto

17 de December de 2010

Obrigada!

1/2 Carolina Mendes

18 de December de 2010

Lindo o texto, parabéns pelo talento com as palavras. É raro hoje em dia entrar em um blog e ver algo tão bem escrito.
Quanto ao Natal, apesar da loucura do consumo, das ruas confusas e dos shoppings lotados, eu amo essa data especial.

http://aliceinlesboland.blogspot.co

17 de December de 2010

Eu tento, todo ano, não amar.

Falho.🙂

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

17 de December de 2010

you’re amazing.

caio

17 de December de 2010

Ok, fiquei sem saber o que dizer.
🙂

1/2 Carolina Mendes

17 de December de 2010

hahah na verdade eu fiquei sem o que dizer :p
achei que um simples elogio iria funcionar

caio

22 de December de 2010

Acho que tudo no fim se resume a “cudocisse” de manter aquele repugio sobre coisas tradicionais que todo mundo faz.
No fim todo mundo quer participar, quer curtir junto, chorar talvez ou dizer aquelas coisas bobas todas mesmo que durante todo o ano tenha interpretado o Hitman. Também prefiro curtir, Carol, mesmo toda minha familia e amigos interpretando o Hitman até no Natal.

Richard Mendes

17 de December de 2010

As pessoas lidam como fim de ano como conseguem, eu acho.

Bjo!

1/2 Carolina Mendes

17 de December de 2010

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