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O tal post de Natal

27 de December de 2009



Enfim, o tal post do Natal. Dá pra perceber que as coisas não andam muito cômicas ou fáceis por aqui. Mas aí vai chegando o dia 25…

Alguma parenta liga perguntando “que roupa você está pensando em usar na ceia?”, alguém em algum caixa me deseja um bom Natal e o monstro começa a crescer dentro de mim.

Aí eu começo a pensar em quem vai ou não estar, nas pessoas que invariavelmente eu só encontro no Natal, nos assuntos, nas mentiras brancas, nas crianças… Muitas crianças, isso sempre ajuda. Viva as crianças educadas, por mães enérgicas, principalmente. Nada de corre-corre ou choradeira. E babás, muitas babás. Aí, até tolero as tais crianças.

Todos se põe bonitos, as moças com vestidos, maquiagem, jóias, bons modos.

Todos sorriem muito, agradecem a taça de vinho, se interessam pelos acontecimentos daquele ano que passou e não nos encontramos. Nem nunca vamos nos encontrar, somos parentes de Natal. Não temos qualquer ligação durante os outros dias do ano.

Os anfitriões demonstrando todo o tempo o porque são os anfitriões. Curtem cada segundo, escolheram cada bebida, onde cada vela iria, a regulagem dos dimmers. Chama amor isso, e generosidade.

É assim com alguns. Outros a gente nem precisa dizer nada, os olhos às vezes se encontram por um tempo mais longo e ameaçam se encher de água. Se tivermos sorte, será meia noite e alguma criança vai impedir a aproximação pro abraço que nos levaria às lágrimas.

As matronas, se colocam em seus tronos e esperam ser servidas. Os maridos, muitas vezes são figuras coadjuvantes. É fato que o tempo é mais cruel com a beleza da mulher, mas é infinitamente mais cruel com o espírito da maioria dos homens. Minguam.

As divas familiares sempre serão rainhas, princesas, o que quiserem. E qualquer fração de atenção ou conversa trivial com elas, vale por um ano. Pra mim pelo menos, que sou a chubby excêntrica de uma família de mulheres deslumbrantes.

Os primos que casaram, que separaram, que tiveram filhos, que engordaram, que ficaram calvos… Foda-se, primos são como uma sociedade secreta, nos entreolhamos como se soubéssemos de mais do que os olhos podem ver, como se dançássemos conforme a música por bondade, por docilidade.

Né docilidade não, é outra coisa. Medo de que o ano que vem algo seja diferente.

O Natal não precisa ser diferente, diferente precisa ser o quê se passa entre os Natais.

Que o espírito natalino dure mais que as sobras de comida, que nos faça pensar. Natal que vem, volto aqui pra falar sobre uma ceia idêntica a desse ano, só que vista pelos olhos de uma Carolina renovada.

#bjochorei

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comments

Chorei também.
Comecei a chorar com “os olhos às vezes se encontram por um tempo mais longo e ameaçam se encher de água.” e não parei mais.
Consegui enxergar os membros da minha familia, e os primos, e as pessoas que a gente ama em silêncio a vida inteira mas no Natal o amor transborda.
A gente não se vê, a gente não se fala, mas nessa época a gente lembra que tem uma família e que, se tudo der errado, no Natal que vem a gente não está sozinho.

Adoro você, Dona Carol. Sério.

Mercedes

17 de December de 2010

Hannah, obrigada!!! Andei sumida e negligente mas voltei! Bjo.

Carolina

11 de January de 2010

Nossa, incrível como consegue exprimir tantas emoções em poucas linhas! Ler seus posts se tornou um prazer pra mim. Parabéns.

Hannah S. de Sá

6 de January de 2010

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